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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não cuspa no prato que comeu!

Nota 
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Realmente são os sintomas da perda. Quando abrimos mão de algo ou de alguém ou algo ou alguém que fazia parte de nossa vida nos deixa, como as funções e cargos exercidos, tendemos a desvalorizá-los. Eis o homem faminto que chega à mesa e pede o primeiro prato. Guloso come copiosamente. Arregala-se na delícia e no tempero sob medida. Engole afiadamente sua bebida sentindo em cada gole o sabor do líquido que escorrega garganta abaixo. Tudo lhe vai bem. A comida lhe compraz. Logo, vem o segundo prato. Ele repete da mesma porção. O mesmo tanto. Tudo outra vez. Esquece que seus olhos já estão maior que o estômago. Logo encontra a cebola escondida entre a carne. Os temperos, o cheiro verde. Ele detesta cheiro verde e jamais comeria. Assim, o alimento quase lhe enoja. Aquilo lhe traz ânsia. Nada pode satisfazê-lo. O prato fica vazio. Ele estava satisfeito e nem se deu conta. O que lhe resta é cuspir no prato que comeu.

O primeiro pensamento nos diz que desfazemos aquilo que não suportamos mais. Quando o que antes nos agradava e hoje já não nos agrada mais, exaltamos os seus defeitos no lugar de onde antes só admirávamos as qualidades. Enumeramos os defeitos do ex numa lista que jamais pensemos ficar tão imensa. O que antes víamos com os olhos do carinho passamos a ver com os olhos da rejeição. O mesmo fazemos com os cargos que perdemos; com o amigo que nos traiu; com o brinquedo que quebrou. 

"Cuspir no prato que comeu" é acreditar que o que era bom não serve mais. Antes é desdenhar aquilo que nos era importante e como hoje não faz parte da nossa vida, pra quê manter o luxo de conservá-lo? É uma maneira estúpida de não aceitarmos a perda. Não somos bons perdedores quando cuspimos no prato que comemos. Antes desenhamos em nós os sinais da ingratidão. Ingratidão por aquilo que tivemos, pelas pessoas que conhecemos, pela história que formamos junto seja o tempo que durou. 

Cuspir no prato que comemos é feio. É como se apenas esperássemos o tempo certo para criticar. É jogar tudo o que foi plantado fora. É querer apagar a parte boa da história com a ousadia de tentarmos ser melhores que os outros ou maiores que as demais coisas quando maldizemos ao invés de louvarmos. Não faça isso.

Denis Rafael Albach

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